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Um artigo de Antônio Delfim Netto, para o Jornal Valor Econômico de 31/08/2010
 O sucesso da economia chinesa exerce uma atração irresistível para os que veem no seu modelo a possibilidade de fácil replicação
A rápida evolução da economia chinesa é, de um lado, objeto da admiração e inveja por parte dos países emergentes e, de outro, motivo de preocupação real e ideológica por parte dos países desenvolvidos (que são o centro do capitalismo financeiro). Esses são sempre apoiados num Estado constitucionalmente limitado. Seus governos são escolhidos periodicamente pelo sufrágio universal em eleições abertas, que garantem a competição livre e honesta entre várias organizações partidárias. Neles, a própria Constituição impede o "aparelhamento" do Estado pelo partido eventualmente vencedor. Isso é fundamental para garantir a continuidade e legitimidade do jogo eleitoral. Nessas sociedades, o "garante" das liberdades individuais é um Supremo Tribunal Federal, cujos membros são constitucionalmente blindados contra qualquer pressão, quer do Executivo, quer das "ruas". O Executivo sempre quer mais poder; o clamor popular quer vingança, não justiça. Antes de prosseguir, um pequeno desvio. Há constituições e constituições! A constituição "democrática" da velha União Soviética (a URSS), por exemplo, "garantia" a todo cidadão "liberdade de expressão, de imprensa, de reunião e de religião". O pequeno problema é que cada uma dessas palavras tinha significado próprio, definido nela mesma. Por exemplo, "liberdade de expressão" (e todas as outras "liberdades") eram garantidas sob uma condição. Deviam respeitar os "interesses dos trabalhadores de forma a fortalecer o sistema socialista" (Nutter, W., " The Strange World of Ivan Ivanov: 11"). Mas quem eram os trabalhadores? Apenas o próprio sr. Stalin, pelo qual o velho Karl paga a conta até hoje! Qualquer semelhança com propostas que recentemente circularam no Brasil não pode ser mera coincidência... O sucesso da economia chinesa exerce uma atração irresistível para os que veem no seu modelo a possibilidade de fácil replicação, mas desconsideram o contexto em que ele pode realizar-se. Não se pode viver sem um nome. Fala-se, agora, no Consenso de Pequim. À platitude e ideologia do Consenso de Washington, que iludiu uma geração de economistas com a conversa de "preços no lugar" e não levou a lugar nenhum (como era previsível), o novo consenso propõe uma equação até aqui não resolvida pela história: combinar por muito tempo o sucesso econômico com a falta de liberdade individual. Os nove membros do Comitê Permanente do Politburo, presidido por Hu Jintao, conhecem bem a história. Tal sistema só funciona enquanto se pode absorver as inovações e as tecnologias desenvolvidas nas economias hoje maduras. A partir daí, a tendência é a volta ao crescimento medíocre e à exacerbação das pressões sociais. A verdade poucas vezes enfatizadas é que o Politburo chinês é tecnicamente competente e tem à disposição uma das mais treinadas e diligentes burocracias de quantas existem ou existiram no mundo. Depois da destruição produzida por dois séculos de distúrbios, retornou-se à antiga tradição. Já no segundo século (em 124 A.C.), criou-se uma Universidade Imperial para preparar funcionários públicos, que são cooptados por concurso público e cuja progressão é estritamente pelo mérito. O Politburo sabe que, para repetir mais 32 anos de crescimento a 11% ao ano, precisa alugar, comprar ou conquistar terras e recursos naturais equivalentes a outro território chinês. Está, esperta e calmamente, realizando o seu programa através de empresas estatais (que escondem o Estado soberano). Com isso espera contornar os efeitos dramáticos sobre os preços internacionais de alimentos e recursos naturais que serão produzidos pelo seu próprio crescimento. Não há nenhuma objeção ao capital estrangeiro no setor de terras e recursos minerais, desde que realizado através de empresas privadas nacionais, mesmo com capital estrangeiro. O que não se pode admitir é a vendê-los a Estados soberanos sob o disfarce de empresas estatais, porque isso pode atingir profundamente o interesse nacional e desqualificar os mercados internacionais na formação de preços. Não devemos desperdiçar nossa complementaridade sinérgica com o desenvolvimento chinês, mas não devemos deixar de olhar o futuro. As decisões do Politburo revelam que ele entende claramente que sem suprimento externo garantido e a preço controlado, a China provavelmente não poderá repetir mais 30 anos do mesmo crescimento. A conta é simples: se o mundo crescer à taxa de 3% até 2040, e a China reduzir sua taxa para 9%, o PIB chinês (medido em paridade do poder de compra de 2008), que hoje representa 11% do total, representaria 70% em 2040! O resto do mundo teria de diminuir 0,4% ao ano para acomodá-la, o que é improvável economicamente e inaceitável politicamente. Se o resto do mundo crescer a sua taxa histórica de 3% ao ano, para acomodar o crescimento da China (que então passaria de 11% para 44% no PIB global), o crescimento do mundo teria que ser da ordem de 4,5%, o que é claramente impossível diante do problema do aquecimento global. O dilema está posto: se correr o bicho pega, se parar o bicho come! É conveniente, pois, reconsiderar a política laxista que até aqui temos tido com o novo-colonialismo chinês, sem deixar de insistir no comércio. Vamos impedir a compra de recursos naturais pelo Estado soberano chinês e, simultaneamente, aumentar o grau de sofisticação de nossas exportações de alimentos e minérios?
Fonte: Valor. Por Érica Fraga, para o Valor De Londres
No início, era uma mistura de admiração e perplexidade. Agora, as reações do resto do mundo diante do surpreendente ritmo de crescimento da China têm se convertido em um debate prático sobre que lições os demais países em desenvolvimento podem tirar do exemplo do gigante asiático. Essa discussão de política econômica começa a ganhar fôlego, inclusive na América Latina, e já foi batizada de Consenso de Pequim. A expressão, cravada no título de um artigo escrito pelo consultor americano Joshua Cooper Ramo, é usada como contraponto ao chamado Consenso de Washington, receituário de medidas neoliberais formulado na década de 90 para países em desenvolvimento.
A escassez de resultados nos países que abraçaram as reformas neoliberais, como os latino-americanos, tem dado espaço à busca de alternativas inspiradas no modelo da China, uma das poucas nações emergentes que não seguiram as orientações do Consenso de Washington. "A China está marcando um caminho para outras nações que estão tentando descobrir não apenas como se desenvolver, mas também como se encaixar na ordem internacional de forma que possam ser verdadeiramente independentes (...) Chamo essa nova física do poder e desenvolvimento de Consenso de Pequim. Substitui o amplamente desacreditado Consenso de Washington, uma teoria econômica famosa nos anos 90 por sua abordagem prescritiva, 'Washington-sabe-melhor', de dizer a outras nações como administrar a si mesmas", diz trecho do artigo.
O "Consenso de Pequim" foi publicado pelo respeitado Centro de Política Externa (The Foreign Policy Centre), instituto de pesquisa baseado em Londres que tem como patrono o primeiro-ministro britânico, Tony Blair. Recentemente, tanto a expressão como as teses de Ramo têm ganhado tom de debate e já foram citadas em artigos de publicações como "Financial Times", "Newsweek" e textos de outros acadêmicos, inclusive brasileiros.
"Os dois países que ignoraram mais notavelmente o Consenso de Washington, Índia e China, têm resultados que parecem atrativos. Então, no lado econômico, acho que há uma reação natural de tentar pensar sobre que lições poderiam ser aprendidas da experiências desses dois países muito grandes e muito pobres", disse Ramo ao Valor.
O artigo de Ramo - que, além de atuar como consultor de negócios, principalmente na China, é acadêmico e já foi editor da revista "Time" - foi escrito depois de mais de cem conversas do autor com importantes intelectuais e políticos chineses. O texto defende a idéia de que a experiência chinesa mostra que cada país precisa encontrar seu próprio caminho de desenvolvimento. O modelo chinês, diz Ramo, "é tão flexível que nem é classificado como doutrina e não impõe soluções uniformes para todas as situações". Mas, de acordo com o autor, podem ser retirados dele três teoremas básicos.
- O primeiro teorema diz que a China - que cresce a uma média de 9% há duas décadas - tem se beneficiado de investimentos em alta tecnologia, inovação e educação. São formas de aumentar a produtividade total dos fatores da economia chinesa. E, observa Ramo, as mudanças ocorrem em velocidade tão alta que a inovação constante é a única forma de combater os problemas causados pelas próprias transformações. Mesmo quando fracassam, as tentativas são vistas como positivas. Essa é uma das idéias de Deng Xiaoping recicladas pela China em sua contínua busca de um caminho próprio rumo a uma economia de mercado, globalizada, mas com "características chinesas".
- O segundo teorema afirma que as taxas elevadas de crescimento não bastam e que é preciso buscar uma expansão sustentada e maior igualdade na distribuição dos ganhos com as reformas do país. Desde o início de seu processo de abertura controlada, marcada por um modelo exportador agressivo, iniciado por Xiaoping, a China deixou de ser uma das nações mais igualitárias do mundo para figurar no time das mais desiguais.
Apesar do forte controle político sobre a população, as pressões sociais têm aumentado, diz Shaun Breslin, professor da Universidade de Warwick, no Reino Unido, respeitado especialista europeu em China. "Há greves e motins diariamente sobre os quais não ouvimos porque não são sempre divulgados na China por razões óbvias. Se há um desafio para o Partido Comunista no curto prazo, não olhe para a classe média; ele pode vir daqueles que vêm sendo deixados para trás", afirma Breslin.
A insatisfação com a agressão ao meio ambiente e com a corrupção também é crescente. Por isso, de acordo com Ramo, há sinais claros de que o foco do pensamento desenvolvimentista chinês está se voltando para as discussões sobre sustentabilidade e igualdade. A percepção da desigualdade como risco à estabilidade social somada ao temor de que as taxas de crescimento acabem esbarrando em limites estruturais de recursos levou o governo do presidente Hu Jintao e do primeiro-ministro Wen Jiabao a encampar o discurso da necessidade de "desenvolvimento equilibrado".
Esse deverá ser o tema central do novo plano econômico de cinco anos que será discutido pelo comitê central do Partido Comunista agora em outubro. Para Ramo, essa é a segunda perna do tripé do Consenso de Pequim.
- Seu terceiro sustentáculo é o que Ramo chama de teoria da autodeterminação, descrição fascinante de como a China tenta controlar seu destino, usando o que o autor chama de alavancagem para dar grandes passos. O foco é sobre a política externa. "Em vez de construir um poder no estilo dos EUA, encrespado com armas e intolerante com as visões do mundo dos outros, o poder emergente da China é baseado no exemplo do seu próprio modelo, a força de seu sistema econômico e defesa rígida da soberania nacional", diz trecho do artigo.
O Partido Comunista chinês tem propagado a tese de que busca uma ascensão pacífica. Mas tem sabido, ao mesmo tempo, comenta Ramo, construir armas poderosas no mundo globalizado. Exemplo: suas reservas internacionais de mais de US$ 700 bilhões, boa parte acumulada em títulos do governo dos EUA, que são um reflexo da política de manutenção de uma taxa de câmbio desvalorizada, um dos motores do modelo exportador chinês. "Estas 'armas assassinas' são importante parte do Consenso de Pequim em segurança. Não porque Pequim é ambiciosa por hegemonia, assunto que deixarei para outros discutirem, mas porque oferecem a chance para uma verdadeira autodeterminação", diz Ramo.
Tentativas de teorizar sobre o segredo do exuberante crescimento chinês, principalmente as bem delineadas e perceptivas como é o caso do trabalho de Ramo, chamam a atenção da América Latina. Não é por acaso que acadêmicos brasileiros como Theotonio dos Santos, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e coordenador do Reggen, uma rede internacional de pesquisa econômica patrocinada pela UNESCO, têm se dedicado a estudar o Consenso de Pequim. "É evidente que este tema se encontra no centro do debate contemporâneo na China. Trata-se de definir o final do Consenso de Washington que Joseph Stiglitz (economista americano) tão bem prognosticou. O pós-Consenso de Washington será, sobretudo, um Consenso de Pequim", afirma Santos.
Ele e outros acadêmicos da América Latina e de diversas partes do mundo têm participado de seminários na China sobre o modelo de crescimento do país, fortemente controlado pela mão do Partido Comunista. A busca por uma nova estratégia de desenvolvimento global como alternativa às orientações neoliberais é conseqüência da decepção com o Consenso de Washington. Existe a percepção de que as reformas - baseadas em políticas de liberalização financeira e comercial, privatizações, redução do papel do Estado na condução da economia, aperto fiscal e controle da inflação - não geraram os resultados esperados principalmente em termos de crescimento sustentado e desenvolvimento.
Os diversos seminários sobre política econômica realizados na China são um sinal do interesse que o governo chinês tem na disseminação do Consenso de Pequim. Na opinião de Ramo, os chineses entendem que, tanto do ponto de vista econômico, como do geopolítico, "quanto mais eles puderem ajudar outras nações a se fortalecerem, melhor será o mundo para a China".
A China também tenta aprender com os erros da América Latina. Por encomenda do governo, a Academia Chinesa de Ciências Sociais publicou, em 2004, um livro chamado "Análises do Neoliberalismo". A obra, uma compilação de artigos de respeitados acadêmicos chineses, escrita sob um ponto de vista marxista, considera a Rússia e a América Latina como áreas do "desastre" do neoliberalismo. Um dos capítulos trata das vítimas latinas das reformas liberais.
Não faltam sinais, portanto, de que ganha fôlego a discussão de alternativas nessa fase de pós-Consenso de Washington. Mas permanece uma grande dúvida: o Consenso de Pequim é, realmente, viável para outros países em desenvolvimento, como o Brasil? Ramo cita em seu artigo o interesse crescente de acadêmicos brasileiros pelo fenômeno chinês. Destaca também que, antes da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país asiático, o governo brasileiro disse em nota oficial que o interesse do Brasil ia além dos laços econômicos, englobando também projetos chineses que visavam a "melhorar a vida das pessoas".
O problema é que não está claro se o modelo bem-sucedido de crescimento chinês vai, de fato, se converter em um projeto igualmente bem-sucedido de desenvolvimento que beneficie parcela mais significativa da população. Por enquanto, como diz Ramo, as políticas chinesas permanecem carregadas de "contradições, tensões e armadilhas".
Sobre a possibilidade de o Brasil tirar lições do modelo chinês, Breslin, da Universidade de Warwick, diz o seguinte: "O crescimento chinês tem sido em parte baseado em salários baixos e na supressão dos direitos dos trabalhadores. Isso é algo que o Brasil gostaria de estabelecer?" O especialista vai além. Lembra de outros aspectos inerentes ao regime chinês, que são a manutenção do poder político centralizado, ao qual não se permite contestação, e o sistema bancário inadequado, cujos empréstimos ainda alimentam muitos investimentos no país. Esses são aspectos talvez negligenciados no artigo de Ramo.
"O que os outros países querem é a parte brilhante e bem-sucedida da China -Xangai - sem os pontos baixos. Recomendo aos formuladores de políticas que levantem os tapa-olhos e vejam a história toda, e não apenas os lados positivos", afirma Breslin.
Mesmo considerando os aspectos inaceitáveis do regime chinês do ponto de vista democrático, como recomenda Breslin, a essência do Consenso de Pequim, a defesa de que cada país tem de buscar seu caminho, soa como um argumento convincente mesmo para quem discorda da tese de forma mais geral. Na opinião de Jorge Arbache, professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), o caso da China é peculiar e não deve ser visto como modelo. Como Breslin, ele também destaca o "absoluto controle político e do processo de tomada de decisões", além de peculiaridades do regime chinês. Mas ressalta o seguinte: "A grande lição chinesa é que é possível um país encontrar seu caminho de prosperidade, desde, é claro, que algumas condições econômicas e políticas estejam presentes. Outra lição que podemos tirar do caso chinês é que eles sabem o que querem, o que pavimenta o caminho do sucesso."
Ramo, por sua vez, é enfático em relação às chances de propagação do Consenso de Pequim. Embora afirme que nenhum outro país poderá repetir a experiência chinesa, ele diz que certos aspectos, como os investimentos em inovação tecnológica, são altamente atraentes para outros países. E destaca a importância do princípio de que sem estabilidade não há desenvolvimento.
Fonte: Valor online  | PHoda... | Jan 21, '11 7:15 AM for everyone |
 Neste Brasil imenso Quando chega o verão, Não há um ser humano Que não fique com tesão.
É uma terra danada, Um paraíso perdido. Onde todo mundo fode, Onde todo mundo é fodido.
Fodem moscas e mosquitos, Fodem aranha e escorpião, Fodem pulgas e carrapatos, Fodem empregadas com patrão.
Os brancos fodem os negros. Com grande consentimento, Os noivos fodem as noivas Muito antes do casamento.
Coronel fode Tenente, General fode Capitão. E o presidente da República Vive fodendo a nação.
Os freis fodem as freiras, O padre fode o sacristão, Até na igreja de crente O pastor fode o irmão.
Todos fodem neste mundo Num capricho derradeiro. E o danado do dentista Fode a mulher do padeiro.
Parece que a natureza Vem a todos nos dizer, Que vivemos neste mundo Somente para foder.
E você, meu nobre amigo Que agora está a se entreter, Se não gostou da poesia Levante e vá se foder!!!
(Autor Desconhecido) Batman vs. Alien vs. Predator. No Need to Comment...
Já pensou no poder que os palavrões tem? Não??Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia. "Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que "Pra caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende? No gênero do "Pra caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "Nem fodendo!". O "Não, não e não!" e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade "Não, absolutamente não!" o substituem. O "Nem fodendo" é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo "Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!". O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio. Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um "é PhD porra nenhuma!", ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!". O "porra nenhuma", como vocês podem v er, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos "aspone", "chepone", "repone" e, mais recentemente, o "prepone" - presidente de porra nenhuma. Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um "Puta-que-pariu!". E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cu!"? E sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai tomar no olho do seu cu!". Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: "Chega! Vai tomar no olho do seu cu!". Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e sai à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.  E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu!". E sua derivação mais avassaladora ainda: "Fodeu de vez!". Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? "Fodeu de vez!". Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"? O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. "Não quer sair comigo? Então foda-se!". "Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!". O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, igualdade, fraternidade. E...foda-se! Grosseiro, mas profundo... Pois se a língua é viva, inculta, bela e mal-criada, nem o Prof. Pasquale explicaria melhor. "Nem fodendo..." (Texto atribuído ao Millôr Fernandes, mas de autoria de Luís Fernando Veríssimo) Link: http://faozation.tumblr.com/Dicas e Informações sobre o mundo do Design, criado e mantido por Jorge Faoza (Bacharel em Comunicação Social com especialização em Publicidade e Propaganda) e Faoza Studio Design & Ilustração. Antigo Tupixel_Blog Link: http://dropdeadsexypinups.com/index.phpMark Wasyl is an LA based artist/designer who brings you his own brand of Super Sexy Vector Style. Clean lines, bold colors and sensuous curves are the characteristics that make up his artwork. Mark's preferred subject matter...PINUPS of course, infused with Attitude and Devilish charm!
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Keep your eyes open for the evolution of Mark Wasyl's work. This is just the beginning of his journey. Link: http://spicydonut.com/Portfólio online do artista e designer Devin Lawson, com Ilustrações, Design, estudos e muito mais... Vale a visita...  Nelson Rodrigues: Dramaturgo, romancista, jornalista, tricolor Nascido no Recife em 23/08/1912 Falecido no Rio de Janeiro em 21/12/1980 "Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico."- O marido não deve ser o último a saber. O marido não deve saber nunca.
- Dinheiro compra tudo. Até amor verdadeiro.
- Certas esposas precisam trair para não apodrecer.
- O brasileiro é um feriado.
- O Brasil é um elefante geográfico. Falta-lhe, porém, um rajá, isto é, um líder que o monte.
- Sou a maior velhice da América Latina. Já me confessei uma múmia, com todos os achaques das múmias.
- Toda oração é linda. Duas mãos postas são sempre tocantes, ainda que rezem pelo vampiro de Dusseldorf.
- O grande acontecimento do século foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota.
- Na vida, o importante é fracassar.
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Fonte: Artigo sobre Coop, na Wikipédia em Inglês. (Livre Tradução) Esta dica alguns conhecem, outros não, então, antes tarde do que nunca! O Windows XP possui um Agendador de Pacotes QoS que reserva 20% da banda de internet disponível na sua conexão para uso próprio. Bem, digamos que já é impossível ter 100% da velocidade prometida pelos provedores e o sistema operacional ainda rouba mais 20% ? É foda! Para desabilitar essa torneira por onde vaza parte da sua conexão, siga os passos abaixo, estando logado como Administrador da máquina: A. Iniciar > Executar, digite gpedit.msc e pressione OK. B. Clique em Configuração do computador > Modelos Administrativos > Rede. C. Clique em Agendador de pacotes QoS e depois em Limite de reserva de banda (ou Limitar Largura de Banda Reservável). D. Na aba Configuração, selecione Ativado. Na linha Limitar % da banda, digite 0 (zero). Clique em Aplicar, OK e saia. E. Vá nas Configurações da Rede (Painel de Controle > Conexões de Rede), clique com o botão direito na conexão existente e selecione Propriedades. Na aba Geral, habilite o Agendador de Pacotes QoS (se já estiver habilitado, deixe como está). F. Reinicie o computador. Pronto! Você tem 20% a mais de velocidade para baixar besteiras! Fonte: Blog do Plínio Torres http://pliniotorres.wordpress.com/2007/10/16/aumentando-a-velocidade-da-internet-no-windows/ Dica do brother Ratim! Link: http://pq.blogspot.com/Blog de Ulf Borgenstam, um cara lá da Suécia, formado em ciência e engenharia da computação (Eu acho que é isso...) e programador de jogos... Nesse blog, ele posta os desenhos que faz. Vale a pena ver. 
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Para saber mais:
Site do Artista Romeno Alex Dragulescu http://www.sq.ro/index.php
Projeto: Malwarez http://www.sq.ro/malwarez.php |
Um artista gráfico decodificou a aparência de alguns dos mais conhecidos e temidos vírus que afetam o mundo virtual. As imagens, criadas pelo romeno Alex Dragulesco, foram encomendadas pela empresa britânica MessageLabs, que trabalha com sistemas de segurança online. Para criar as imagens, a empresa disponibilizou os códigos dos vírus para Dragulesco. Os dados foram inseridos em um programa de computador criado por ele, que, segundo a MessageLabs, "transforma códigos em imagens de 3D". A partir desta imagem, o artista trabalhou na aparência dos vírus famosos como o Trojan e o Storm, e spams, entre outros. Uma porta-voz da MessageLabs disse à BBC Brasil que as imagens representam "uma correlação real entre os códigos e a aparência dos vírus" e que "não se trata de uma impressão do artista". "Foi possível observar que vírus que faziam parte da mesma 'família' apresentavam similaridades. Em um dos casos, enviamos o código de um vírus que carrega consigo um hóspede e a imagem retratou o hóspede também", disse. A série de 15 imagens será usada para promover a nova campanha de marketing da empresa. Project: Malwarez (Aqui no Multiply) http://tecnolite.multiply.com/photos/album/12 Fonte: Site da BBC Brasil, 05 de março, 2008 - 14h46 GMT (11h46 Brasília)http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/03/080305_galeriaviruscomputador_np.shtml Para saber mais: Site do Artista Romeno Alex Dragulescu http://www.sq.ro/index.php Projeto: Malwarez (No site do Alex Dragulescu) http://www.sq.ro/malwarez.php Link: http://www.misprintedtype.com/Site do Designer brasileiro Eduardo Recife. Uma aula de design, com um estilo forte e bizarro, caótico e algo "decadente". Contém entrevistas, portfolio e mais um monte de coisas legais para designers, ou interessados no assunto.
Dica do brother Ratim! Valeu aê véi!!! Deixemos que a Natureza escolha o seu caminho; ela entende melhor disso do que nós. Let us permit Nature to have her way; she understands her business better than we do. Michel de Montaigne
A Natureza, para ser comandada, precisa ser obedecida. Nature, to be commanded, must be obeyed. Francis Bacon
Na Natureza não há recompensa nem castigo; somente conseqüências. In nature there are neither rewards nor punishments; there are only consequences. Robert B. Ingersoll
A Natureza usa o menos possível de tudo. Nature uses as little as possible of anything. Johannes Kepler
As leis da Natureza afirmam, ao invés de proibirem. O homem que as violam se torna de si próprio advogado de acusação, juiz, júri e carrasco. Nature´s laws affirm instead of prohibit. If you violate her laws you are your own prosecuting attorney, judge, jury, and hangman. Luther Burbank
A Natureza jamais diz uma coisa e a sabedoria outra. Never does Nature say one thing and wisdom another. Juvenal Perfil de Raymond Loewy, pioneiro do desenho industrial que criou as formas mais marcantes deste século e símbolos conhecidos no mundo inteiro. Suas obras ajudaram a fazer o retrato dos tempos modernos. Há alguns meses, o Centro Cultural Georges Pompidou, em Paris, inaugurou com estardalhaço uma retrospectiva das obras do artista pop americano Andy Warhol, falecido no passado. Logo a seguir, o mesmo centro abriu outra exposição mas tão discretamente que de início poucos ficaram sabendo do evento. Apesar disso, os objetos que o público podia entrever do lado de fora começaram a chamar a atenção. Não que fossem raros ou exóticos. Ao contrário, estão no cotidiano de todos os visitantes que passaram a afluir à mostra, curiosos em saber o que faziam, juntos, embalagens de cigarros, bombas de gasolina, aspiradores de pó, réplicas de trens, carros e aviões. A primeira impressão era de que ali estava um concorrente de Warhol, que se celebrou nos anos 70 reproduzindo em seus quadros latas de sopa Campbell's e garrafas de Coca-Cola. Mas não era bem isso: enquanto a primeira exposição contemplava o pintor que fazia arte com banais produtos de consumo a segunda era dedicada ao homem que passou a vida dando-lhes forma e appeal: o desenhista industrial Raymond Loewy. Ironicamente, seu nome é conhecido apenas por uma ínfima parcela dos incontáveis milhões de pessoas que, há um punhado de gerações, nascem, crescem, ficam adultas e envelhecem cercadas de coisas objetos, símbolos e embalagens concebidas por Loewy. Foi esse francês naturalizado americano, com efeito, quem criou a forma branca, maciça e sem pés que se tornou sinônimo de geladeira; o emblema de um garfo e uma faca cruzados que indica restaurante nas estradas; o primeiro modelo de automóvel de passeio de linhas aerodinâmicas; a concha que no mundo inteiro identifica a Shell; uma profusão de eletrodomésticos, materiais de escritório, máquinas fotográficas, ônibus enfim, até uma nave espacial. Ninguém mais ou melhor do que ele modelou tudo aquilo que, aos olhos da multidão, acabaria se confundindo com a própria noção de modernidade, a aparência mais sedutora do século XX. Escultor e ideólogo de seu tempo, Loewy se fez gente na vertigem das inovações tecnológicas que mergulhariam as sociedades humanas numa era de movimento e velocidade. Segundo dos três filhos de um economista austríaco, que se casara com uma francesa da Alsácia, nasceu em 1893 perto de uma Paris prestes a perder o fôlego diante dos inventos do dia o automóvel e o avião. Fascinado pelas peripécias de Santos-Dumont, o garoto não deixava porém de achar os primeiros aeroplanos "meio ridículos", como escreveria muitos anos depois. Aos 15 anos, disposto a criar um objeto voador mais bonito, inspirou-se na delicadeza da libélula para desenhar um aviãozinho de madeira capaz de percorrer 150 metros impulsionado por um elástico. O brinquedo virou moda; seu autor, que embora jovem teve o tino de patenteá-lo, ganhou com ele dinheiro suficiente para custear os estudos de Engenharia. Quando a Europa afundou nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, em 1914, o universitário Loewy foi mobilizado e partiu para a frente de batalha aborrecido por causa do corte grosseiro de sua farda. Quase uma obsessão, as preocupações estéticas o levaram a forrar de papel as paredes de seu alojamento e, num gesto de extravagância e panache, típico da porção dândi de seu temperamento, pendurou à porta uma placa de metal onde se lia: Studio Rue de la Paix. Se isso sugere frescuras de um almofadinha adamado, engano. Loewy voltou à vida civil com a patente de capitão e a condecoração da Cruz de Guerra por bravura em combate. O conflito o fez ver, além da feiúra das casernas, que o Velho Mundo estava de fato muito velho para seu gosto. Por isso, em 1919, aos 26 anos, com 50 dólares no bolso e muita ambição, emigrou para os Estados Unidos, onde já morava um irmão mais velho, médico de profissão. Sua paixão pela América foi fulminante. "Ao vislumbrar a bandeira com as listras e estrelas uma verdadeira obra de arte, viril, alegre e imponente , soube imediatamente que amaria aquele país", lembra na autobiografia publicada em 1951. Ele se imaginava tendo de limpar a neve das ruas para ganhar o pão, de dia, e jantando de smoking com alguns milionários, à noite. Exagero, mas nem tanto: ainda sem trabalho, tomou do irmão dinheiro emprestado a fim de comprar uma elegante camisa social para tais ocasiões. No primeiro emprego, vitrinista da Macy's, a mais popular loja de departamentos de Nova York, ficou dois dias. Ele mesmo se demitiu ao perceber que não havia sido exatamente bem recebida a sua primeira criação uma vitrine inteira dedicada a expor um casaco de peles, arrematado por uma écharpe, um vaso de flores naturais, tudo sob forte iluminação de refletores. Os donos da loja queriam mostrar o máximo de mercadorias em um mínimo de espaço. Ele queria elegância e despojamento. Esse tipo de conflito o acompanharia anos a fio, mas ele não arredaria pé de sua inovadora marca pessoal.  Começou a fazer ilustrações para revistas de classe como Harper´s Bazaar, Vanity Fair e Vogue e nesse trabalho ficou quase dez anos. Graças aos contatos que tais publicações lhe proporcionavam, passou a freqüentar a borbulhante high society nova-iorquina do fim da década de 20, que sempre o fascinou. Loewy, adorando ambientes e pessoas chiques, movia-se à vontade nesses círculos, com seus ternos impecáveis, bigodinho de latin lover e talento inato de relações-públicas. Ávido por publicidade, mesmo quando a extraordinária ousadia de seu trabalho lhe assegurava toda a fama a que tinha direito, ele não perdia ocasião de colocar-se no foco das atenções. Literalmente: certa vez, a bordo de um avião, ao ver os fotógrafos em volta de Miss América, saiu de sua poltrona para tentar aparecer nas fotos. E nunca se deu o trabalho de desmentir a lenda de que a inconfundível garrafa de Coca-Cola era arte sua. Mas, a julgar por sua mulher, Viola, relações-públicas da Philip Morris, três décadas mais jovem, com quem se casou aos 55 anos, ele era na realidade tímido e inseguro. Se a frivolidade não chegava a incomodá-lo, o mau gosto o deixava doente. E mau gosto havia de sobra nos Estados Unidos daqueles tempos de estrepitoso crescimento industrial, que despejava nas lojas toneladas de artigos cujo desempenho era ótimo e a apresentação péssima. Loewy acreditava que a produção em massa não era incompatível nem com a beleza nem com a funcionalidade e esse foi seu primeiro estalo de gênio. Mandou imprimir cartões de visita com o nome, endereço e um credo: "Entre dois produtos de igual qualidade e preço, o que tiver melhor aspecto venderá mais". Mas ninguém parecia interessado nas propostas com sotaque estrangeiro daquele francês diplomado em Engenharia, mas que só havia desenhado croquis para revistas de moda. "Foi uma época de camas frias, refeições frias, chuvas frias e um monte de aspirinas", conta ele, talvez com alguma hipérbole, em suas memórias. Em plena crise de 1929, a sorte bateu à porta de seu quarto em Manhattan na pele de Sigmund Gestetner, um inglês gordinho e míope, dono de uma fábrica de copiadoras. O modelo que Gestetner produzia era barulhento e sujava com facilidade. O mecanismo exposto fazia com que parecesse confuso e os operadores viviam tropeçando nos estranhos pés compridos da engenhoca. Com o prazo de três dias para desenvolver um novo protótipo, Loewy começou por eliminar do aparelho as protuberâncias inúteis, diminuiu as manivelas e alojou todo o mecanismo dentro de um móvel liso, de fácil manutenção. Sem tempo para mandar executar a maquete em aço, fabricou-a ele mesmo em argila, como um escultor. Com o passar dos anos, aperfeiçoaria o método, trabalhando com gesso, isopor e plástico. A rigor, Loewy realizara apenas uma cirurgia cosmética no mimeógrafo de mister Gestetner. Mas, ao simplificá-lo, tornando o conjunto harmônico e funcional, deixou-o mais prático e sem dúvida mais atraente. O novo modelo, como seu autor previra, foi um sucesso de vendas. O público comprou a decisiva mensagem implícita na criação de Loewy: equipamentos de aparência simples certamente são simples de usar. Nascia o desenho industrial, voltado originalmente para a conquista dos consumidores americanos, duramente golpeados pela recessão econômica, mediante a sedução das formas. E a forma por excelência que Loewy tinha em mente eram as linhas elegantes, alongadas, em fluxo, do traçado aerodinâmico. Era a face futura de um mundo em constante aceleração, a sintaxe visual dos quadrinhos de Flash Gordon e Buck Rogers. De olho nas grandes corporações e esperando realizar um sonho de infância, Loewy procurou o presidente da Pennsylvania Railroads, uma das mais ricas ferrovias particulares do país. Entrou querendo projetar fantásticas ferrovias, saiu com uma oferta para desenhar novas latas de lixo para a Estação Central de Nova York. Durante três dias, ficou espiando o comportamento de viajantes e funcionários e aprontou um modelo prático, fácil de limpar, barato e discreto. Tendo conquistado a confiança da empresa, pouco depois podia ser visto encarapitado sobre um trem a toda a velocidade, testando com bandeirinhas a resistência do ar. Suas idéias baseavam-se invariavelmente nos princípios da simplicidade e da lógica. Nas locomotivas que viria a projetar, por exemplo, as chapas de ferro fundido, habitualmente fixadas com arrebites, eram substituídas por uma única peça soldada. Dotada dessa carapaça, a máquina ganhava velocidade e sua manutenção ficava mais econômica. De quebra, ele modificou toda a concepção interna dos vagões, para torná-los mais funcionais e confortáveis. Resultado: em um ano o movimento da Pennsylvania Railroads aumentou quase 40%. Loewy desenhou cerca de vinte locomotivas, entre elas a S1, de 1938, considerada a mais bela do mundo. Capaz de ir além de 200 quilômetros por hora, dispunha de um único farol central o que lhe valeu o apelido de "Cíclope" e um desviador de fumaça, tudo para facilitar a visão do maquinista. Loewy amava a velocidade. Com enorme prazer, desenvolveu alguns de seus melhores projetos para a indústria automobilística. A moda tradicional de carros altos, de linhas retas e pára-brisa vertical, ele contrapôs pára-brisa inclinado, carroceria rebaixada, pára-choques e faróis incrustados nos pára-lamas de linhas alongadas. "Os automóveis devem ser considerados obras de arte, que tem ao mesmo tempo valor prático e estético. Sobretudo, devem proporcionar conforto e sensação de liberdade", pontificava. Seu carro ideal, no entanto, surgiria apenas durante a Segunda Guerra Mundial, quando Loewy tinha já uma centena de funcionários sob suas ordens em quatro escritórios nos Estados Unidos (o principal apropriadamente instalado em um arranha-céu da Quinta Avenida, em Nova York) e outro na Inglaterra. Em 1942, às portas da falência, a indústria de automóveis Studebaker apostou todas as fichas que lhe restavam em um modelo para quando a guerra acabasse e deu carta branca a Loewy para concebê-lo. Sem a menor idéia de qual seria o gosto do público americano no incerto futuro de paz, limitou-se a buscar o produto que considerava perfeito: um veículo que pesasse o mínimo, desse aos passageiros o máximo de visibilidade, parecesse estar em movimento mesmo quando parado e fosse, ainda, confortável e espaçoso, elegante e refinado no conjunto.  Surgiu assim o Studebaker Commander, um produto sob medida para uma América que saía da guerra mais orgulhosa, mais rica, mais consumista e mais ostentatória do que nunca. Durante quase duas décadas, o Studebaker influenciaria a concepção dos novos modelos fabricados em Detroit, embora Loewy torcesse o nariz ao festival de cromados que infestava as carrocerias. Muito antes de se tornar uma celebridade pública, com a indispensável chancela da revista Time, que lhe inflou o ego com uma reportagem de capa em 1949, Loewy permitia-se todos os luxos que o dinheiro pode comprar. Ainda nos anos 30 era dono de um apartamento em Manhattan, uma vila na Côte d'Azur, sul da França, e um castelo nos arredores de Paris, onde recebia a crème de la crème dos grã-finos europeus. Profissionalmente, concorrendo com designers de primeiríssimo time, como Henry Dreifus, Normal Bel Geddes e Walter Dorwin Teague, tinha sobre eles a vantagem da inigualável habilidade em pensar naquilo em que ninguém havia pensado antes e em transformar o pensamento em dinheiro. Idéia original foi a metamorfose da Coldspot, um dos primeiros modelos de geladeira doméstica, comercializada nos anos 30 pela Sears. Era um trambolho grandão a se equilibrar sobre pernas magras e muito altas. Painéis e molduras sem graça e uma maçaneta de má qualidade completavam o desajeitado conjunto. "Um armário para sapatos", fulminou Loewy. Como se não bastasse a feiúra, as prateleiras, confeccionadas com fios de aço e montadas à mão, acabavam enferrujando. Loewy estudou o problema e começou a resolvê-lo pelo exterior, como sempre. Mais uma vez, eliminou os pés inúteis, substituindo-os por uma gaveta, o que não só aumentou a capacidade da geladeira como ainda eliminou o inconveniente de limpar essa área de difícil acesso. A maçaneta foi trocada por outra, elegante como a dos carros de luxo. A porta foi redesenhada de modo a produzir um som que indicasse estar hermeticamente fechada. Em seguida, Loewy mandou fazer prateleiras das mesmas chapas de alumínio perfurado usadas na fabricação de automóveis, à prova de ferrugem. Fazer dinheiro com uma idéia original consistiu em projetar no ano seguinte um novo modelo, alterando apenas algumas linhas do anterior, e em repetir a dose no ano seguinte. A essa tacada comercial ele chamou "melhoria constante", um conceito até então desconhecido da indústria. Com ele, produtores e vendedores podiam provocar no consumidor o desconforto de achar que o seu exemplar estava ficando obsoleto, incentivando-o assim a trocá-lo por outro, aparentemente melhor. A Coldspot, a propósito, saltou de 60 000 para 275 000 unidades vendidas por ano. Está aí provavelmente a certidão de nascimento da chamada sociedade de consumo. "Não há linha mais bela do que a da progressão nos gráficos de vendas", escreveu o desenhista. Muita gente boa do ramo não rezava por esse cartilha. Dizia-se que Loewy traçava seus projetos com um olho na prancheta e outro na caixa registradora o que sem dúvida era verdade. As críticas mais contundentes procediam da velha Europa. Com suas origens na revolucionária escola alemã Bauhaus de um lado, e na Revolução Soviética, de outro, o desenho industrial europeu cresceu alimentando-se de ideologias de forte conteúdo social. Para seus praticantes, Loewy representava uma detestável manifestação do design capitalista americano. Não se pode dizer que ele tivesse ficado com insônia por isso. Em todos os seus projetos, obedecia ao credo de que o feio vende mal e que belo e funcional são faces da mesma moeda. Daí por que nenhum de seus trabalhos contém traços desnecessários ou componentes supérfluos. "O talento de um criador se traduz na sua capacidade de alcançar a simplicidade", ensinava. "Mas o verdadeiro estilo tem personalidade definida e os objetos que o possuem parecem ter vida própria." Tinha faro invejável também para os humores do público. Durante a guerra, quando havia escassez de metais, lançou um batom numa embalagem caleidoscópica de cartolina "modesta contribuição para levantar o moral da mulher americana". Nos maços de cigarros Lucky Strike, trocou o fundo verde que imitava a camuflagem de combate, soltava tinta e parecia velho, pelo branco, luminoso e asséptico, sobre o qual aplicou a marca, em preto, dentro de um círculo sanguíneo. Uma de suas preocupações principais no trabalho era justamente a escolha das cores. Loewy sabia que cada uma exerce um efeito próprio sobre as pessoas e as utilizava em função disso. Quando a Air France o procurou para ver como ele podia diminuir a sensação de aperto causada pela estreiteza da fuselagem do supersônico Concorde, mandou pintar uma larga faixa preta no interior do aparelho, criando com isso um efeito psicológico de evasão. Ele sabia muito sobre muitas coisas mais. Quando a NASA pediu sua contribuição para o desenho do laboratório espacial Skylab, no começo dos anos 70, decretou que cada tripulante precisaria ter uma área própria onde pudesse se isolar oito horas por dia e que a tripulação deveria fazer as refeições em conjunto. Recomendou ainda que uma grande escotilha fosse colocada nas paredes da cápsula, para que os astronautas pudessem ver a Terra. De volta do espaço, eles disseram que, sem as sugestões de Loewy, não teriam suportado a viagem. Seu prestígio era grande no Japão, terra de um design todo particular, onde foi consultor de indústrias em reconstrução no pós-guerra. Milionário, boa vida, arauto do capitalismo, era recebido de braços abertos na União Soviética para projetar desde câmeras fotográficas a tratores. Os únicos objetos em que jamais quis pôr o signo de sua inventividade foram as armas. O objetivo do desenho industrial é melhorar a vida das pessoas, não destruí-la, explicava. Encarnação do sonho americano, morreu aos 93 anos em Mônaco, onde mantinha uma de suas muitas propriedades suntuosas. Conservara o mesmo bigode e o mesmo peso de quando jovem, este à custa de um implacável regime. Só lamentava não ter inventado aquela que julgava a forma mais perfeita do mundo: a do ovo. Por Cristina de Medeiros, de Paris, com Suzana Veríssimo Para saber mais: Linguagem Visual - Um código ao alcance de todos http://super.abril.com.br/superarquivo/1988/conteudo_111024.shtml Revista Superinteressante, Ed. 04, Janeiro de 1988 Fonte: Revista Superinteressante, Ed. 38, Novembro de 1990 http://super.abril.com.br/superarquivo/1990/conteudo_112326.shtml  "O mundo se divide em dois tipos de pessoas: as que gritam Oba! e as que exclamam Epa!". Quem disse isso? Demócrito? Santo Agostinho? Leibniz? Nietzsche? Nenhum deles: foi Ivan Lessa, no Pasquim. A frase resume tudo o que conseguimos aprender até hoje sobre o ser humano. De acordo com Ivan Lessa, os Oba! são otimistas, alegres, aproveitadores, oportunistas, barulhentos e donos de um caráter flexível. Os Epa!, por outro lado, são censuradores, precavidos, desconfiados, facilmente escandalizáveis, dotados de um caráter rígido e de pouquíssimo senso de humor. A popularidade do Lula já foi analisada sob diferentes prismas. Faltou um: o que aplica à realidade política a tipologia do Oba! e do Epa!. Os brasileiros sempre foram esmagadoramente Oba!. Somos uma espécie de paradigma universal do Oba!, com focos isolados e desorganizados de Epa!. O grande mérito do lulismo foi separar claramente as duas categorias: uma para cá, outra para lá. Tome-se a última pesquisa CNT-Sensus, publicada alguns dias atrás. Entre os eleitores que ganham até 380 reais, 72,3% festejam Lula com um alegre e ruidoso Oba!. Entre os que ganham mais de 7 600 reais, há apenas 31,7% de Oba! e uma arrasadora maioria composta de 65,9% de censuradores e escandalizados Epa!. É bom que os que ganham até 380 reais estejam dizendo Oba!. Podemos parar de nos preocupar com eles. Quanto menos a gente se preocupar com eles, melhor para eles e melhor para nós. Agora que o lulismo reintroduziu no Brasil uma pitada de identidade de classe, contrapondo ricos e pobres, temos de encontrar um jeitos de preservá-la. Quando um jornalista do Oba! Oba! vier pedir anúncios à sua empresa, diga Epa! e mande-o procurar o governo. Quando um ator ou cantor do Oba! Oba! aparecer pleiteando patrocínio para seu espetáculo, diga Epa! e nem o receba. Quando um professor universitário tentar doutrinar seu filho com o Oba! Oba! de Mészáros, Guattari, ou Sachs, diga Epa!, tire seu filho da universidade e arrume-lhe um emprego. Quando um diretor de TV propuser uma minissérie esteticamente arrojada a partir da obra do Oba! Oba! Ariano Suassuna, diga Epa!, mude de canal e veja um enlatado americano. É assim que eu protesto contra a turma do Oba!: todos os dias, às 4 da tarde, interrompo minhas atividades para ver a reprise de um episódio de The Office, a prova mais evidente da superioridade moral e intelectual da turma do Epa!. De tanto assistir a The Office, é capaz que um dia eu ainda consiga derrubar Lula. Reinaldo Azevedo, em seu blog, comparou os anti-lulistas àqueles cavaleiros medievais do Monty Python que acreditam poder derrotar seus inimogos berrando um estridente Ni!. É verdade. Se 100 000 pessoas se reunissem na Candelária e berrassem juntas Ni! ou Epa!, o governo cairia na hora. O problema é que a turma do Epa! jamais conseguiria se organizar para reunir 100 000 pessoas num mesmo lugar. É bem melhor ficar em casa vendo TV e zombando da turma do Oba!. Fonte: Revista Veja, 04 de Julho de 2007, pág.: 125
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